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Quem anda à procura de acompanhantes Santa Cruz normalmente acabou de aterrar. É essa a verdade toda — este é o concelho do aeroporto da Madeira, aquele com a pista assente em pilares de betão por cima do mar, e quase toda a gente que aqui passa vai a caminho de outro sítio. Vivi dois anos no Caniço, o que tecnicamente fazia de mim residente de Santa Cruz, e até eu dizia às pessoas que morava ‘ao pé do Funchal’. A vila merece um bocadinho mais do que isso, mas percebo perfeitamente o instinto.
O centro de Santa Cruz é arrumado e sem pressas: uma praça com sombra, uma igreja matriz do século XVI que aguentou tudo o que o Atlântico atirou a esta costa, um passeio com palmeiras ao longo dos calhaus da Praia das Palmeiras, e o Aquaparque lá em cima, onde qualquer miúdo da zona já foi arrastado pelo menos uma vez. O meu antigo vizinho Paulo fazia transferes do aeroporto e jurava que nove em cada dez passageiros nem sabiam que estavam em Santa Cruz enquanto lá estavam de pé. Saem do avião, veem a entrada da VR1 e desaparecem para o Funchal sem olhar para trás.
Portanto, sem rodeios: quase ninguém nesta área trabalha a partir de Santa Cruz. Os perfis que vais encontrar para esta ponta da ilha estão quase todos baseados no Funchal, porque é lá que estão os apartamentos, os hotéis e a procura. O que Santa Cruz tem a seu favor é geografia: ficas a quinze ou vinte minutos do centro do Funchal pela VR1, uma via rápida a sério, e isso transforma o outcall de um favor numa rotina. Pesquisar acompanhantes Santa Cruz é, na prática, pesquisar o Funchal e perguntar quem se desloca — e a maioria desloca-se, precisamente porque este troço é rápido.
O Caniço é a parte que interessa mesmo a quem visita. Tem a maior concentração de camas turísticas fora do Funchal, quase tudo no Caniço de Baixo, nas falésias à volta do Garajau — há ali um Cristo Rei no promontório, primo mais velho e mais pequeno dos famosos, com uma reserva marinha por baixo que faz mergulhadores atravessar a ilha. Os hotéis são grandes, internacionais, habituados a gente a entrar e a sair a toda a hora, o que joga a favor da discrição: num hotel de quatrocentos quartos ninguém controla quem visita quem. Um aparthotel com entrada própria ainda é melhor.
Um aviso sobre o aeroporto, porque me perguntam isto vezes sem conta. Se o plano é aterrar tarde e arranjar companhia em cima da hora, baixa as expectativas. A Madeira não é Lisboa. Os últimos voos chegam, a ilha respira fundo, e nenhuma independente sensata aceita uma marcação às duas da manhã de um número que nunca viu. Escreve com um dia de antecedência, confirma como deve ser, e corre tudo bem. Aparece à meia-noite sem aviso e vais falar sozinho.
Quanto a dinheiro: a Madeira anda na mesma faixa das cidades do continente, uns €120 a €200 à hora consoante a pessoa, com o mercado do Funchal a dar o tom — não há tabela própria de acompanhantes Santa Cruz porque não há cena própria em Santa Cruz. Vir até ao Caniço ou à vila pode acrescentar um valor de deslocação; vinte minutos para cada lado continuam a ser quarenta minutos da noite de alguém. Pergunta directamente, fecha o total antes de alguém entrar no carro, e desconfia de números demasiado generosos.
Sem carro, estás melhor aqui do que em quase qualquer outro ponto da ilha. Os autocarros da SAM ligam Santa Cruz e o Caniço ao Funchal pela costa, mas o horário definha à noite. Mais útil: a Bolt funciona bem neste canto da Madeira, uma viagem do Caniço ao centro do Funchal fica pelos €10-15, um pouco mais desde o terminal, e há praça de táxis nas chegadas com tarifas mais ou menos fixas. A VR1 faz em dezoito minutos o que a estrada antiga fazia em cinquenta.
Santa Cruz é uma base, não é uma cena, e tem o mérito de nunca fingir o contrário. Dormes ao pé da pista, pedes emprestados os restaurantes, a noite e os perfis do Funchal, e a VR1 cose as duas pontas. Conforme o feitio, isso é eficiente ou pouco romântico. Ao fim de dois anos, eu achava sobretudo eficiente.
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Duvidas? Nos temos as respostas.
Muito poucas, sinceramente. A cena da Madeira concentra-se no Funchal, e os perfis que vês para Santa Cruz são sobretudo mulheres do Funchal que se deslocam. Pela VR1 são vinte minutos, por isso pensa nesta zona como Funchal-mais-deslocação e não te enganas.
Para encontros não — o outcall resolve, e a Bolt e os autocarros da SAM tratam do trajecto até ao Funchal. Para conhecer o resto da Madeira convém ter carro, porque os transportes para o norte e o oeste são lentos e escassos.
Em geral sim, e melhor do que pensões pequenas. Os resorts nas falésias do Garajau são grandes e anónimos, com gente a entrar e a sair a toda a hora. Confirma a política de visitas com discrição, e um aparthotel com entrada própria é o cenário mais simples de todos.
Quinze a vinte minutos pela VR1. Uma Bolt do Caniço ao centro do Funchal fica pelos €10-15, os táxis da praça do aeroporto cobram tarifas quase fixas na casa dos €25-30 até à cidade, e os autocarros da costa demoram perto de quarenta minutos.