Fui à Madeira pela primeira vez em outubro, há uns anos, achando ingenuamente que ia passar as noites a ver o mar e a dormir cedo. Errado. Os bares Funchal têm uma energia que ninguém me tinha avisado, e passei mais noites acordada até tarde naquela ilha do que em qualquer fim de semana normal em Lisboa. Isto não é um artigo sobre clubes de acompanhantes disfarçado de guia de bares — é mesmo sobre onde beber bem no Funchal, com uma ou duas paragens mais adultas mencionadas no fim, para quem também procura isso.
Bares Funchal na Zona Velha: é onde tudo começa
Se só tens uma noite no Funchal, vai para a Rua de Santa Maria, na Zona Velha. É ali que a cidade acorda depois das nove da noite — portas pintadas por artistas locais, bares colados uns aos outros, gente a passar de um copo para outro sem grande planeamento. De quinta a sábado é quando aquilo enche a sério; numa terça-feira em janeiro, admito, pode estar mais parado do que gostarias.
O Vintage Bar, no número 23 dessa mesma rua do centro do Funchal, foi o primeiro sítio onde parei nessa viagem de outubro. Ambiente pequeno, cocktails feitos com calma, nada apressado. Fiquei ali quase duas horas só a ver o movimento lá fora pela janela, coisa que normalmente não faço — sou mais de “bebo e sigo caminho”.
Madeira Rum House — óbvio, mas por boa razão
Não podia escrever sobre bares Funchal sem falar da Madeira Rum House, mesmo ao fundo da rua velha, junto a uma pracinha cheia de restaurantes. É o sítio mais óbvio de todos os guias de viagem, e normalmente desconfio do que é óbvio demais — mas aqui a fama é justificada. Poncha feita com aguardente local, maracujá, mel, tudo à mão. Uma poncha ronda os 6€-8€, o que para o que oferece (e para a ressaca que promete) até acho barato.
Se preferires vista em vez de história
O Pestana CR7 Rooftop, sim, tem o nome que estás a pensar, é do Ronaldo mesmo — mas a vista sobre a baía do Funchal ao pôr do sol vale a visita independentemente disso. Cocktails mais caros do que na Zona Velha, uns 12€-15€, mas pagas pela vista, não pela bebida em si. Já o Living Room Bar funciona mais como lounge com galeria de arte por dentro — ambiente mais calmo, conversa mais fácil, ótimo para começar a noite antes de desceres para a badalação da rua velha.
Para quem quer dançar até tarde
O Trap Music Bar, com dois andares, é a opção óbvia se o plano é dançar e não só beber sentado — música ao vivo em baixo, cocktails e conversa em cima. E se preferires algo com um casino ao lado, o Copacabana Garden Lounge Bar, junto ao Casino da Madeira, tem uma vibe mais “noite de gala” do que os bares da Zona Velha, com um jardim exterior que surpreende bastante para quem não está à espera.
Confesso que não sou grande fã de casinos, geralmente. Mas o jardim do Copacabana convenceu-me a ficar mais tempo do que planeava — tinha ido só para dizer que tinha ido, e acabei ali sentada quase três horas.
E se procuras algo mais adulto na mesma noite?
Vale mencionar, já que também é uma pergunta comum sobre a vida noturna da ilha: o Funchal tem duas casas deste género, o Lux Angel e o New York Gentleman’s Club, ambas com espetáculos ao vivo e horário alargado. Não são o foco principal de quem visita a ilha à procura de bares Funchal no sentido geral — a esmagadora maioria de quem sai à noite no Funchal está mesmo só à procura de um bom cocktail e boa companhia entre amigos —, mas existem, funcionam dentro da lei como casas noturnas licenciadas, e ficam mencionadas aqui por serem parte honesta da oferta da ilha, não escondidas debaixo do tapete.
Se o que procuras é companhia a sério em vez de espetáculo, há também acompanhantes independentes a trabalhar na Madeira, de forma verificada e legal — outra opção completamente à parte dos bares e clubes que já mencionei.
Quando ir e o que vestir (isto importa mais do que parece)
Se pesquisaste bares Funchal a pensar em levar chinelos e t-shirt de praia, repensa. De dia sim, claro, é ilha, é calor. Mas à noite, mesmo nos bares mais informais da Zona Velha, a maioria das pessoas troca de roupa antes de sair — nada de gala, mas também nada de roupa de praia com areia ainda agarrada. Aprendi isto da pior forma na minha primeira noite lá, ao aparecer no Vintage Bar ainda com o calçado do dia. Ninguém disse nada, mas senti-me completamente fora do sítio.
Época também conta bastante. Entre junho e setembro, os bares Funchal enchem com turistas de cruzeiro que desembarcam à tarde e ficam até tarde; fora dessa época, a clientela é mais local, mais tranquila, e sinceramente mais interessante para conversar. Prefiro ir fora de época, sempre. Não é imagem, é mesmo o que prefiro.
Comparado com Lisboa? Nem por isso
As pessoas perguntam-me sempre se a noite do Funchal se compara à de Lisboa, já que escrevo tanto sobre os bares de Lisboa também. A resposta sincera: não, e não tem de se comparar. Lisboa tem mais opções, mais escala, mais gente de fora todas as noites. O Funchal tem outra coisa — uma escala pequena que faz com que acabes sempre a falar com as mesmas pessoas duas ou três vezes na mesma noite, coisa que em Lisboa quase nunca acontece. Achava que ia sentir falta da confusão de Lisboa… e esperei, e esperei essa sensação chegar. Não chegou. Gostei mais do Funchal do que esperava, e olha que não é fácil surpreender-me depois de anos nisto.
Onde ficar hospedado perto disto tudo
Se ainda não decidiste onde dormir, já escrevi sobre os melhores hotéis na Madeira — vale a pena escolher algo perto do centro do Funchal, a andar da Zona Velha, para não depender de táxi todas as noites. Um Uber dentro da cidade ronda os 5€-8€, nada assustador, mas depois de umas ponchas a mais prefiro sempre poder ir a pé.
Da próxima vez que for à Madeira — e vou, já tenho voos vistos para o próximo outono — sei exatamente por onde vou começar a noite. Rua de Santa Maria, uma poncha na Rum House, e a partir daí, o que a noite trouxer.
Um itinerário rápido, se não quiseres pensar muito
Começa cedo, lá pelas 19h, com um cocktail no Living Room Bar ou uma vista no Pestana CR7 Rooftop. Janta perto da Zona Velha — há imenso restaurante bom ali, isso fica para outro artigo. Por volta das 22h, desce para a Rua de Santa Maria e deixa-te levar de bar em bar; é mesmo assim que a maior parte das pessoas faz os bares Funchal por conta própria, sem reserva, sem plano rígido. Se ainda tiveres pernas depois da meia-noite, o Trap Music Bar aguenta-te até tarde.
É basicamente o que eu fiz naquela primeira viagem de outubro, sem plano nenhum a sério — e continua a ser o roteiro que recomendo a qualquer amiga que me pergunte por onde começar, sem exceção, todas as vezes que me perguntam isto mesmo antes de uma viagem à ilha.
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